A Nossa Casa


Desenhos e colagens de Diego Medeiros refletem sobre o morar, viver e sonhar


A casa é mais do que um espaço físico; é um símbolo poderoso de pertencimento, memórias e sonhos. Diego Medeiros, conhecido por suas hachuras detalhadas e pela sensibilidade em traduzir emoções em suas obras, explora esse conceito em três trabalhos marcantes que conectam histórias pessoais, arquitetura e memórias coletivas.

O Terreno dos Sonhos

Neste desenho, Diego retrata um terreno vazio, carregado de expectativas. Cada linha e textura explora o simbolismo das lutas diárias que acompanham o ato de construir uma casa. Do alicerce à decoração imaginária, o artista captura o árduo processo de transformar um sonho em realidade. As hachuras meticulosas dão forma ao solo, às fundações e ao vazio à espera de ser preenchido. Para muitos millenials que crescem entre o desejo de estabilidade e a pressão por realizações, essa obra ecoa profundamente, simbolizando a esperança e os desafios da vida contemporânea.


Cercada pela beleza da flora local, a cabana é um espaço inspirador para criativos que buscam conexão com a natureza. A poucos metros, uma singela cachoeira proporciona um toque especial, com o suave som das águas criando uma atmosfera serena que estimula a reflexão e a criatividade. A Cabana Solar se destaca como um santuário para a expressão artística e momentos de tranquilidade. - Danielle Magalhães

A Janela do Passado

Inspirado por uma janela lateral de um apartamento dos anos 1960, onde cresceu, Diego recria em miniatura uma janela de madeira com três bandeiras. A obra é um retrato pessoal e nostálgico, celebrando um espaço cotidiano que se torna testemunha das transformações de uma família. A escolha de miniaturizar a janela reflete o desejo de preservar um fragmento do passado, como quem guarda um tesouro de infância. O design retrô é um convite para que cada observador recorde sua própria janela especial — seja literal ou metafórica. Num momento em que o revival estético dos anos 1960 e 1970 está em alta, a obra ressoa como uma homenagem às nossas próprias histórias.

Nada Será como antes

NEsta obra é um estudo afetivo de uma casa vernacular, uma residência simples e carregada de histórias. A textura das paredes, as linhas que delimitam a alvenaria e os detalhes do telhado fazem dela um testemunho arquitetônico e emotivo. Um depoimento emocionante de Vitor Bettoni, parte da inspiração para o trabalho, ecoa esse sentimento:

"Minha mãe tem boas memórias dessa casa por ter brincado no quintal, seu avô tocava saxofone e trabalhou na construção da ferrovia de Divinópolis. Ela tem uma lembrança alegre dai porque era um lugar onde toda a família se reunia pra celebrar feriados e datas comemorativas importantes." — Vitor Bettoni

Essa obra não é apenas um estudo arquitetônico; é uma celebração do que significa ter um lar. A nostalgia, as reuniões em família e a simplicidade dessa memória criam uma conexão universal.

Jornada para o Lar

O trabalho de Diego Medeiros, em sua essência, convida-nos a refletir sobre o significado de casa. Ele explora não apenas os espaços físicos, mas também os lugares que habitamos em nossas memórias e corações. Em um mundo que muitas vezes parece apressado e desconectado, essas obras lembram-nos da importância de preservar o passado enquanto construímos o futuro. Afinal, quem somos sem as histórias que nos moldam?